
Muricy Ramalho vai dizer sim ao Fluminense sábado à tarde. Ele vai desembarcar no Rio de Janeiro na segunda-feira, de manhã. O Tricolor ganha um profissional de muita qualidade e pode começar a sonhar com o título brasileiro, mas só se contratar Tinga e Zé Roberto (ex-Flamengo) – este um novo nome na lista do Flu. O problema vai ser se Conca for para o Porto.
No Flamengo, a “revolta” dos jogadores foi mais uma demonstração de que o clube está na mão deles. E Marcos Braz, ex-vice-de-futebol, demitido na sexta, tem muita participação neste ambiente conturbado. Se o futebol é profissional, como pode eles se insubordinarem de forma tão veemente? A presidente Patrícia Amorim não imaginava que o futebol era tão difícil, mas tem mostrado mão firme para impedir a bagunça.
E o Botafogo? Ficou com Joel Santana, que desistiu de voltar ao Flamengo para comandar o time já nas oitavas-de-final da Libertadores, fase que ele deixou o clube em 2008. Naquela oportunidade, o treinador estava com a cabeça na África do Sul e viu Cabañas passear no Maracanã. Será que a torcida do Flamengo perdoou isso? O problema é que o leilão feito no Botafogo por ele pegou mal. Será que a torcida alvinegra gostou?

Rio de Janeiro é alegria e beleza. No segundo item, o técnico Joel Santana não se encaixa, mas no primeiro, ele está dentro. Além da alegria, das frases engraçadas, o treinador é dono de números expressivos na Cidade Maravilhosa, o que reforça o talento do estrategista Joel Santana. Sempre acompanhado pela prancheta, o técnico não abre mão de mostrar aos jogadores o que viu de errado no primeiro tempo das partidas. Os 15 minutos de intervalo são suficientes para ele mudar a equipe para a etapa final.
Contra o Flamengo, Joel soube neutralizar uma das principais jogadas do time: Léo Moura. O lateral foi parado pelo improvisado Somália, que deixou Marcelo Cordeiro no banco de reservas. Além disso, a garra de Herrera e o sangue frio de Loco Abreu deram o título antecipado ao Botafogo. Justo por sinal! Joel chegou ao oitavo título da carreira no Rio de Janeiro (em 87, ele ficou no Vasco até a reta final, quando Sebastião Lazaroni assumiu e venceu o Estadual – gol de Tita).
Seja qual for a matemática (7 ou 8 títulos), Joel Santana tem a cara do Rio e o Rio recebe o Natalino de braços abertos. Aqui é a casa dele, pois a alegria do treinador faz bem ao nosso futebol. O próximo passo dele é a Calçada da Fama. O Maracanã também vai se render ao talento do técnico do Botafogo. Joel vai inaugurar o espaço dos treinadores no hall do estádio.

Vai começar o Campeonato Estadual! Este bem que poderia ser o anúncio do dia. A semifinal Fluminense x Botafogo marca o início dos bons jogos na competição. Já escrevi várias vezes que o Estadual do Rio com 16 times não dá. Mas, para a nossa sorte, isso acabou e restaram os quatro grandes, como era previsto. No sábado, o Fluminense entra como favorito porque conta com Fred, mesmo não estando 100%, e Conca, este sim brilhando intensamente.
Por outro lado, o técnico Joel Santana sabe armar times limitados e tirar deles o máximo. Só que como já está garantido na final do Estadual, acho que o Botafogo não vai fazer grande força para matar logo a competição. Com isso, emoções à vista até o fim, com direito a mais dois jogos na busca pelo título de 2010. Agora, se o Fred perder aquele caminhão de gols da Taça Guanabara (contra o Vasco), o Bota vai comemorar mais uma final.

Alguém tinha dúvida que a semifinal da Taça Rio seria disputada entre os 4 grandes? Eu não tinha, mesmo o Vasco fazendo força para ficar de fora, deu a lógica. Aliás, o Campeonato Carioca está muito chato e não tem condições de ter 16 times disputando a competição. É um absurdo os pequenos terem o mesmo peso dos grandes na hora da votação. Isso acontecendo, não dá para mudar a f’órmula porque interessa a eles, não aos grandes, que são os que fazem o espetáculo acontecer.
Entrando na semifinal, não vejo favorito e lembro que o Flamengo tem Libertadores no meio do caminho. O time entra em campo na quarta-feira em busca da liderança do grupo. Ou seja: o Vasco pode se beneficiar. Por outro lado, o técnico Gaúcho tem uma semana para tentar acertar a fraca defesa. Este tem sido o ponto fraquíssimo do time no Estadual. Não adianta Dodô fazer um, dois gols, porque lá atrás a cozinha não segura o resultado. Vai ser uma semifinal com cara de final, algo que não vai ser possível acontecer neste Estadual.
Fluminense x Botafogo é um confronto mais equilibrado, mas vejo o Flu com um pouco mais de chance de avançar. Sem Lúcio Flávio, os alvinegros perderam força de criação para Loco Abreu e Herrera. Mesmo assim, Joel Santana vai armar uma retranca para lançar o time nos contra-ataques (característica dos times do Joel quando estão acuados). Cuca espera por Fred, que vai voltar, mas não estará 100%.
Enfim, vai começar o Campeonato Carioca, com jogos interessantes e sucesso de público. A grande certeza é de que deu a lógica! Ou alguém tinha dúvida?

Galera!
Quem me acompanha por aqui, na rádio Brasil e no Jogo Aberto Rio, já sabe o que eu penso do time do Botafogo.
Ele começou o ano como a quarta força do futebol carioca. Teve mérito na conquista da Taça GB, mas ainda é uma equipe de poucos recursos táticos.
Não é de hoje que o alvinegro vence e não convence. Foi assim contra o Flamengo, por exemplo, na semifinal do primeiro tuno.
A derrota para o Santa Cruz nesta quinta-feira não pode ser considerada obra do azar. O time do Botafogo se “acostumou” a jogar com a bola aérea para as conclusões do Loco Abreu (maioria esmagadora de gols no ano saiu assim) e isso para um time grande é muito pouco. É preciso uma variedade maior de jogadas.
O técnico Joel Santana, entretanto, vive um dilema. Para a equipe jogar de uma forma diferente e, portanto, com mais opções de jogadas, ele precisaria colocar o Caio (foto) na vaga do Loco. Só que para isso acontecer, o treinador criaria um clima ruim com o uruguaio. Vale a pena ter esse desgaste na reta final do Campeonato Carioca, por exemplo? Eu acho que vale. Senão, a eliminação na Copa do Brasil pode ter sido apenas uma sinalização de que o ano não será de conquistas. E você, concorda?