
Um gol antes dos dez minutos de jogo e o time do Fluminense passou a tocar bola sem grande ímpeto. Mesmo desfalcado, o Fluminense marcava bem e tinha um pequeno domínio aproveitando-se do gol de Leandro Eusébio que cabeceou um córner que a defesa do Flamengo deixou passar por toda área.
Novo erro, desta vez da defesa do Fluminense. Gum tinha a bola dominada, ficou olhando e Kleberson deu um toque sorrateiro para Deivid empatar. Com forte marcação em Conca, o Flamengo começou a acreditar no jogo e acabou o primeiro tempo de maneira inesperada: vencendo por dois a um.
E no segundo tempo aconteceu o inesperado: três gols em oito minutos, outras tantas oportunidades perdidas pelos dois times e eis que um jogo que começou morno se transformou em uma disputa eletrizante e um placar raro neste campeonato.
Foi um Fla- Flu cheio de erros pra ninguém botar defeito.
********
Olho para o outro lado da rua e vejo um dos tricolores mais doentes que conheço: meu amigo Hugo, o Rabugento. Ele sentiu que tinha sido descoberto, tentou escapar, sabendo que teria que falar do seu Tricolor, mas eu passei no meio dos carros e fiquei frente a frente com ele.
- E aí, Hugo, como vão as coisas? – perguntei
- O Fluminense está nadando para morrer na praia – respondeu
- E como é que você sabe? – instiguei
- Fui campeão carioca e brasileiro de nado livre pelo Fluminense nos anos 50, ele respondeu, e saiu dando braçadas pelo meio dos transeuntes

Quem olha a tabela de classificação do Campeonato Brasileiro aponta o Fluminense como favorito no clássico deste domingo. Os 15 pontos que separam a dupla carioca aumentariam esta vantagem tricolor. Só que o futebol é recheado de detalhes. Um deles foi a rodada da última quarta-feira. O Flu perdeu, em casa, para o Corinthians. O Fla venceu o Grêmio Prudente fora de casa.
Três pontos capazes de mudar o otimismo do torcedor rubro-negro. A desconfiança deu lugar a uma euforia típica de quem senta na arquibancada. No entanto, ela ainda não desceu para o campo, onde os jogadores sabem que a pressão segue forte em cima do elenco do Flamengo. O técnico Silas também sabe disso, mas um clássico pode mudar tudo.
Uma vitória transforma, assim como a derrota interfere no ambiente. Falando em ambiente, o do Fluminense não é mais o mesmo. Depois das declarações do atacante Fred, o time perdeu o rumo das vitórias. Há quem afirme que a entrada do Deco ainda não deu o devido efeito na equipe, o que eu concordo. Só acho que ele tem vaga no time e cabe ao Muricy encaixá-lo ao lado do Conca.
Voltando para o Fla x Flu deste domingo, acho difícil apontar um favorito, mesmo com a tal distância na tabela. Este é um clássico que tem uma história. Quem não lembra de um dos últimos encontros, quando o Tricolor vencia por 3 a 1 no primeiro tempo? Quanto acabou a partida? 5 a 3 para o Flamengo. Este é um Fla x Flu, jogo que nasceu 40 minutos antes do nada (definição do jornalista/escritor/tricolor Nelson Rodrigues).
Se não arrisco um favorito, afirmo, sem dúvidas, que vai ser um jogão, daqueles emocionantes, como o citado acima. De qualquer forma, este Fla x Flu vai ser estranho, pois a tabela mostra uma distância de aproveitamento muito grande entre as equipes.

Dois pontos separam o Flamengo da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Nove distanciam o Vasco do sonho de entrar no G4. O que estaria acontecendo com duas forças do futebol carioca e brasileiro? Erros extra campo, contratações erradas ou fragilidade dos elencos, qual a explicação? Quem tem culpa? Em que posições eles chegarão no fim da competição?
São muitas perguntas, mas são as mesmas que os torcedores estão fazendo pelas ruas do Rio. Antes da Copa do Mundo, o Flamengo era favorito ao título e o Vasco lutava para sair da zona de rebaixamento. Veio a Copa da África e tudo mudou. Na Gávea, Bruno, Adriano e Vagner Love foram embora, enfraquencendo o elenco rubro-negro. Zico chegou tentando organizar a casa, mas esbarra na burrocracia interna.
Em São Januário, Celso Roth se mandou para o Inter e PC Gusmão assumiu. De cara, o novo treinador ganhou vários reforços e fez o time subir na tabela. O problema é que a equipe empacou. Depois de muitos empates (10 ao todo), o Vasco entrou na fase da marola, não se aproxima do G4 e está 7 pontos do Z4, mas com um jogo a menos (é bom ressaltar).
Zé Roberto e Éder Luís entraram bem no time, mas Carlos Alberto não consegue ter sequência e Felipe está no departamento médico, junto com Ramon, que está fazendo muita falta.
No Flamengo, a demora na troca de comando somado aos reforços fora de forma dão o tom da dificuldade que o time tem para subir na tabela. Mesmo assim, Silas precisa, urgentemente, colocar o dedo em algumas feridas (leia-se: medalhões).
Pet não tem condições de ser titular e o treinador já percebeu isso. Agora, é hora de trocar o Ronaldo Angelim. Ele está lento na temporada 2010 e não dá para viver do gol do título brasileiro de 2009.
O problema maior no Fla é o ataque. Os atacantes não desencantaram na competição. Deivid e Diogo, as esperanças por dias melhores, estão fora de forma e sem ritmo. Então, sobra para o torcedor aturar o Val Baiano.
Estes motivos talvez expliquem o sobe e desce do Flamengo e do Vasco no campeonato.

O empate suado, sofrido, heróico e do fundo do coração não pode esconder dois problemas: o time do Flamengo é indefinido na escalação e na maneira de jogar. Um primeiro tempo horroroso, em que o Vitória, a principio, entrou apenas para se defender, começou a mostrar as deficiências do Flamengo.
O jogo era monótono, de baixa qualidade porque se o Vitória não atacava, o Flamengo não chutava. Os baianos começaram a perceber que o adversário não tinha esquemas ofensivos e trataram de ir ao ataque. Por duas vezes Marcelo Lomba salvou o Flamengo, que foi absurdamente inoperante.
No intervalo, Silas fez uma alteração que demorou, mas surtiu efeito. Tirou Angelim e colocou Kleberson, na tentativa de fazer a bola chegar aos homens de frente. O jogo melhorou como um todo, mas foi o Vitória que marcou primeiro.
Felizmente, para o Flamengo, Kleberson começou a mostrar que a sua entrada valeria a pena e empatou com um belo toque no canto. O Vitória não se entregou e passou novamente à frente, com um belo gol de Schwenck.
Faltavam pouco mais de dez minutos (contando-se os acréscimos) quando o suor, o heroísmo e o coração mostram o seu valor.
Kleberson, novamente ele, deu os números definitivos do jogo que mostrou as indefinições do Flamengo.
O Fluminense entrou em campo com três zagueiros de área e liquidou o Ceará no primeiro tempo. O Flamengo usou o esquema com dois zagueiros de área e perdeu para o São Paulo também no primeiro tempo. Devo acrescentar que o Flamengo melhorou no segundo tempo, quando perdia por dois a zero e tinha um homem a menos porque Diogo foi expulso aos quarenta minutos.
Antes que me acusem de ser um adepto incondicional dos três zagueiros de área, devo esclarecer que apenas sou de opinião que um técnico não pode se prender a esquemas rígidos. Acho que um elenco que tem dois laterais da qualidade como Leo Moura e Juan não pode prendê-los à singela marcação dos adversários.
O Fluminense fez um gol logo aos seis minutos, de autoria do lateral Mariano. Também gostaria de explicar que a função do lateral não é apenas apoiar e ir à linha de fundo. Jogando abertos e ofensivamente Mariano e Júlio César criaram espaços para a criação de Conca e Deco. É simples: o adversário preocupa-se com os laterais ofensivos e é obrigado a sair para a marcação dos lados do campo. Com espaço, Conca deu uma exibição de gala na vitória do Fluminense.
Com quatro zagueiros em linha, o Flamengo não teve criatividade em todo primeiro tempo. Leo Moura ainda tem o auxílio precioso de Willians, mas Juan passou o primeiro tempo longe da linha de fundo do São Paulo.
Os paulistas fizeram um gol logo aos seis minutos e dominaram o primeiro tempo. O segundo saiu aos quarenta e um, logo depois da expulsão de Diogo.
No intervalo, pensei que ia ser difícil uma reação depois de tudo o que tinha visto. Mas eis que o Flamengo volta com três zagueiros de área e parte para cima do São Paulo. Para reforçar a minha tese, Juan – que esteve sumido no primeiro tempo – sofreu um pênalti logo aos oito minutos que o árbitro não deu.
E o Flamengo, com um homem a menos foi superior durante todo segundo tempo. Leo Moura e Juan foram os condutores de uma reação que poderia trazer um melhor resultado e a recuperação do time para sua torcida.

Galera!
Vem aí mais uma rodada do Campeonato Brasileiro.
Analisando os adversários dos cariocas, neste final de semana, penso que os clubes do Rio têm muita chance de obter resultados positivos. Pelo menos no papel, a maioria dos rivais não mete muito medo.
O Vasco vai até Fortaleza para enfrentar o Ceará. A queda meteórica do time cearense na tabela de classificação, me leva a acreditar e apostar que o clube de São Januário, mesmo atuando fora de casa, pode conquistar um resultado positivo.
No sábado também, o Botafogo recebe o Grêmio no Engenhão. Se a crise entre Joel Santana e Loco Abreu não atrapalhar, vejo o Fogão com grandes chances de somar mais três pontos na tabela. Aliás, espero que o torcedor compareça em bom número ao estádio. O time está merecendo.
No domingo, mais duas partidas. O Fluminense vai a Campinas encarar o Guarani. Vi o jogo entre Flamengo e Guarani e achei o time campineiro esforçado, porém com limitações técnicas. Entendo que se o Tricolor não se complicar a vitória é certa.
No Maracanã, haverá o jogo mais difícil para os cariocas. O Flamengo recebe o Santos, que voltou a vencer nos últimos jogos e está em busca da tríplice coroa (clube que ganha três títulos no ano). A partida para o Rubro-negro não é fácil, mas a ausência de Neymar é um ponto positivo para o time de Silas, que terá a chance de escalar pela primeira vez Deivid e Diogo juntos.
Bom, é esperar para ver se essa minha previsão se confirma. E você? O que acha? Pensa como eu ou discorda? Participe! Opine!

Os dois gols do Guarani, já nos descontos, na vitória sobre o Flamengo, deveriam servir de alerta para todos os participantes do Campeonato Brasileiro. Podem servir de exemplo para alguns, mas certamente passaram ao largo nas Laranjeiras.
Os tricolores podem ficar irados, porque o castigo foi exemplar. Todas as vezes em que o Fluminense faz um gol antes dos 20 minutos baixa sobre o time um relaxamento que beira a preguiça. A marcação afrouxa, os passes laterais se repetem e a bola fica restrita ao meio.
Deco e Conca, geralmente sofrendo marcações individuais, continuam a ser os donos da bola e nem sempre encontram soluções para agilizar os ataques. Contra o Palmeiras, depois do gol o Fluminense começou a sentir a pressão adversária e a falta de espaço para jogar.
No primeiro tempo os dois times erraram 31 passes, mais pelas pressões mútuas do que por falta de habilidade. O panorama foi o mesmo no segundo, com vantagem para o Palmeiras, mais ofensivo, perseguindo o gol de empate.
E ele veio aos 48 minutos, em bela jogada que terminou com um toque de Everton. O Fluminense disputou seis pontos no Maracanã e ganhou apenas dois por absoluta falta de atenção.
*******
A pior campanha dos cariocas. Esta é a pecha que o Flamengo carrega desde o reinicio do campeonato. Tem o pior ataque, com 14 gols em 18 jogos e sofre com déficit, porque sofreu 15. Parece não ter soluções, porque Val Baiano e Cristian Borja continuam sendo utilizados.
Tudo está errado na Gávea. Do goleiro ao ponta esquerda.

O que vou trazer daqui pra frente não é um caso isolado, não acontece só no Flamengo, mas ganha uma proporção maior quando o clube em questão é o de maior torcida no Brasil. Brigas políticas, disputa pelo poder e influência nas decisões estão em pauta na Gávea. Até que ponto a relação familiar pode ter peso na decisão profissional? É ético usar desta relação para beneficiar alguém?
Ética é uma palavra simples. Vem do grego ethos, que significa modo de ser, caráter, comportamento. É o ramo da filosofia que busca estudar e indicar o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade. Diferencia-se da moral, pois esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano (definição pesquisada na Wikipédia).
Lendo o site Terceiro Tempo, do jornalista Milton Neves, vi um email enviado por Andre Dumbrosck, filho do ex-presidente do Flamengo, Delair Dumbrosck, no qual ele relata a interferência direta do marido da presidente Patrícia Amorim, Fernando Shima. Segundo Andre, Fernando tem sala na Gávea e voz nas decisões tomadas pela mandatária rubro-negra. O detalhe é que quem foi eleita pelos associados foi a ex-nadadora, não o marido.
Talvez isso explique, um pouco, a grande dificuldade que o diretor executivo Zico, maior ídolo do Flamengo, vem encontrando para tentar solucionar problemas imediatos no futebol. No entanto, há quem garanta que existe um outro problema no departamento de futebol. As contratações dos atacantes Cristian Borja e Val Baiano teriam sido feitas através da empresa do filho do craque.
Junior, filho mais velho do Galinho, atuaria em parceria com Alan Espinosa, filho do ex-treinador Valdir Espinosa, e seria o responsável por algumas contratações. Então, entra em discussão a ética. Até que ponto a relação familiar pode entrar na atividade profissional?
Zico tem um nome a zelar no Flamengo e não aceitaria participar destas estranhas relações, pois poderiam manchar a nova carreira. A de jogador de futebol é inatacável e vencedora.

O sonho de ter Ronaldinho Gaúcho na Gávea não acabou. A presidente Patrícia Amorim, que se reuniu duas vezes com Assis, irmão e empresário do craque, em julho, quer o jogador em 2011. Para isso, ela entrou em contato com o representante do atleta para tentar a assinatura de um pré-contrato para dezembro, seis meses antes do fim do vínculo com o Milan.
O problema rubro-negro é o interesse dos italianos (leia-se Silvio Berlusconi) em renovar com Ronaldinho Gaúcho até 2014. Segundo informações vindas da Itália, o dono do Milan sonha com um esquadrão rossonero capaz de tirar a hegemonia da Inter. A maior prova são as duas últimas contratações do clube: Ibrahimovic e Robinho, este contratado por mais de R$ 40 milhões.
Mesmo assim, Patrícia Amorim não desiste e tenta sensibilizar o craque do Milan com um contrato milionário e com duração de 30 meses. Ronaldinho Gaúcho receberia R$ 15 milhões por ano, entre salários e direito de imagem, que seria explorado por um pool de empresas.
Zico já sabe da vontade da presidente e aguarda uma resposta do irmão do craque. De qualquer forma, a negociação só seria concretizada em junho de 2011, quando Ronaldinho ficaria sem contrato com o Milan.

Silas chegou esbanjando confiança no atual elenco e pronto para recuperar algumas peças. Petkovic, que só está jogando um tempo de cada jogo, e os atacantes mereceram atenção especial do novo treinador. Só que o tempo joga contra o técnico e o Flamengo, que está na parte de baixo da tabela do Brasileirão. Por isso, o discurso precisa entrar em campo. Eis a questão: como fazer?
Vejo um Flamengo cansado no segundo tempo das partidas e o Renato Abreu visivelmente fora de forma. Cadê os preparadores físicos? Zico mudou a comissão técnica e precisa cobrar resultados desta turma. Sentindo isso à distância, Silas trouxe novos nomes para a comissão rubro-negra. Como ex-jogador, ele sabe que não pode desperdiçar talento, artigo raro no futebol brasileiro.
O treinador confia em Val Baiano. Tirando ele e o filho do Zico (Junior), que foi quem trouxe o atacante para o Flamengo, ninguém mais aposta no vice-artilheiro do Brasileirão 2009. Mas, como está começando um novo tempo na Gávea, cabe um voto de confiança.
Agora, sem Diogo e ainda sem o Deivid, Silas e a torcida vão sofrer bastante no campeonato. Val Baiano e Leandro Amaral, que ainda está muito longe de ser o Leandro Amaral, irritam qualquer monge budista.