O príncipe virou sapo?

Neymar está fora do jogo do Santos contra o Guarani (Globoesporte.com)

Impressiona-me, e muito, a capacidade que a imprensa tem de influenciar a cabeça das pessoas. Assim que saiu a lista de convocados de Dunga, um número imenso de jornalistas, com 7, sete é pouco, pedras na mão, criticaram o treinador por não ter levado os (até então) meninos da Vila.

Não sou fã de Dunga e critiquei sua convocação, mas não queria ver Neymar com amarelinha, e sim Paulo Henrique Ganso, que apresentava nos gramados maturidade suficiente para integrar uma seleção em uma Copa do Mundo. Neymar sempre me passou desconfiança.

Sempre achei “estranho” as tais dancinhas após cada gol. Neymar sempre foi debochado nos gramados. Mas ai de mim abrir a boca para falar isso em alguma roda de amigos: “Você está maluco”, “Esse é o futebol arte do Brasil”, “Está aí o futebol alegre e o Dunga não convoca o garoto”.

Jornalistas foram para a porta da casa do treinador jogaram holofotes em sua janela no meio da noite pedindo a convocação dos (até então) meninos da Vila. O tempo se passou, o técnico da seleção mudou, o Brasil fracassou na Copa do Mundo, e então, Mano Menezes convocou Neymar. O garoto correspondeu, jogou bem, marcou gol. Tudo uma maravilha!

Porém, seu ar de deboche continuava o mesmo, sem tirar nem colocar. Até que há uns 15 dias, o menino se envolveu em confusões com o técnico Antônio Lopes em uma partida contra o Avaí. Dias depois, outra confusão. Desta vez, com jogadores do Ceará.

Na última quarta, Neymar resolveu discutir com Dorival Júnior. Após a partida René Simões falou à imprensa: “Estamos criando um monstro”. E os jornalistas resolveram tomar isso como verdade. Pronto! Aí está! Neymar tornou-se, em menos de um mês, um monstro.

Talvez muito por culpa da mídia, que sempre exaltava o garoto, achava tudo belo, qualquer coisa que ele fazia era lindo e maravilhoso. Mas e agora? Onde estão os jornalistas que tanto defenderam o menino? Ou todos eles foram demitidos de seus veículos de informação em uma “conspiração anti-Neymar”, o que acho improvável, ou então, eles mudaram de opinião.

O fato é que o principezinho da Vila virou sapo em poucos dias. E o Dorival Júnior hein?! Tanto defendeu o menino, tudo era belo, os marcadores eram maus, batiam em Neymar, não deixavam o garoto jogar bola em paz. Agora o comandante pediu o afastamento do jogador por 15 dias. Pois é, como é o futebol!

Assim fica difícil entender as coisas. O mundo do futebol nos permite tais situações. Herois se tornam vilões, e vice versa, em cerca de dias, minutos, horas a até segundos. Neymar tem erros, defeitos que precisam ser corrigidos, e torço para que sejam, mas não se tornou um vilão por tais atitudes

Nem um Deus nem um diabo, força Neymar, porque potencial você tem. E sabe disso. 

*colaborador do Monstro: Danilo Silveira (www.oscraquesnarede.blogspot.com) 

Dunga na visão alheia

Dunga está desempregado (charge: Gabriel)

É muito fácil ficar de fora e dar palpite no trabalho dos outros. Este, talvez, seja um dos pensamentos de Dunga neste momento. Ele realmente tem razão. Mas toda pessoa que tem o cargo de chefia precisa ter os ouvidos abertos para ouvir as opiniões alheias. Ele é do mundo futebol e conhece mais do que ninguém o que se passa lá dentro, mas nós aqui de fora temos uma visão privilegiada e mais que isso, não temos a responsabilidade de ter que convocar ninguém. 

Diante deste fato nós procuramos o melhor para nossa seleção e vamos em busca dos jogadores ideais para cada posição. Quando se trata de jornalistas esportivos, vamos além, pois trabalhamos com isso diariamente, conversamos sobre isso incessantemente com outras pessoas, ou seja, merecemos o respeito de nossas análises. Dunga falhou nisso e feio. 

Não respeitou em momento algum as nossas opiniões e pior, agrediu aqueles que trabalhavam em prol do povo brasileiro, aquele mesmo povo para quem Dunga trabalhava. Não teve a humildade em ouvir e teve a prepotência ao agir. Por isso, digo que o fracasso desta seleção está nas mãos dele apenas. 

Em momento algum analisou os comentários na imprensa ou refletiu sobre possíveis mudanças na sua convocação. O fim foi trágico, para ele e para nós. Quando criticamos o Dunga, não é a pessoa dele e sim o profissionalismo dele. A base de coerência que utilizou para chamar os jogadores fugiu totalmente a de todos que trabalham com este esporte democrático. 

Agora, veremos pela televisão o resto da Copa do Mundo e pior do que isso, iremos esperar 4 anos até ver a seleção canarinho dentro de campo novamente.

*autor do post: Bruno Escobar (Monstro Colaborador)

Cadê o Brasil, Dunga?

Dunga tenta encontrar explicação (charge: Gabriel)

A seleção convocada pelo Dunga nunca me encheu de entusiasmo, mas sou torcedor e sempre trago a esperança comigo. Contra Portugal, acho que ela foi dar uma volta e não voltou. Confesso que só parei para assistir a partida aos 25 minutos do primeiro tempo. Antes, o rádio, meu fiel companheiro, estava ao meu lado (ao som do Garotinho). Quando sentei no sofá, junto ao meu avô, tive a sensação que não tinha perdido nada até aquele momento. Pensei: “Mas vai melhorar”. Puro engano!

Com o fim do primeiro tempo, achei que o intervalo seria suficiente para fazer o Dunga repensar algumas coisas. Por exemplo, Júlio Baptista não pode substituir Kaká, mas o problema é outro. Quem pode? No atual grupo? Ninguém! Problemas para o segundo tempo. Isso sem falar no Josué, que entrou ainda no primeiro tempo para aumentar a minha irritação com aquela atuação mala.

Mais 45 minutos e nada. Um Brasil sem jogadas, sem criatividade e sem poder de fogo. Luís Fabiano ficou isolado. De bom mesmo só a defesa. Como jogam os nossos zagueiros. De resto, cadê o Brasil? Responda esta e outras questões, seu Dunga!

Educação pra quê?

Dunga é um típico mal humorado (charge: Gabriel) 

Os últimos dias na Copa do Mundo têm sido marcado pela falta de educação de alguns técnicos. Primeiro foi o Dunga, que distribuiu patadas e palavrões na coletiva após a vitória e classificação. E ele despejou tudo no Alex Escobar, que é um cara muito educado. Depois, foi a vez do técnico da “poderosa” Eslováquia, Vladimir Weiss, que não compareceu a entrevista coletiva desta terça-feira. Por último, o “grande” treinador da França, Raymond Domenech, se recusou a cumprimentar Carlos Alberto Parreira, técnico da África do Sul. O que está acontecendo? 

Não acho que é apenas questão de educação. Postura e profissionalismo também passam por estas atitudes absurdas destes caras que ficam à beira do campo vociferando. Alguém já parou para observar o jeito de trabalhar destas figuras? Em sua grande maioria, os técnicos são pessoas extremamente vaidosas e que se acham acima do bem e do mal, como se soubessem mais que os outros. 

Já passou da hora de pisar no freio e alguém travar estes mal educados. Se isso não acontecer logo, periga um “maluco” resolver partir para resolver estas questões no braço, na famosa lei do mais forte. Será que ainda nesta Copa vamos presenciar este tipo de atitude? Pelo que tenho visto, isso está bem perto. Cadê a FIFA? A entidade máxima do futebol e organizadora da Copa não pune ninguém? Virou casa da Mãe Jona. Com todo respeito., dona Joana!!

Ele não é culpado

Dunga assumiu a Seleção após a Copa de 2006

Não gosto do Dunga e isso não é novidade para quem acompanha minhas opiniões no Monstros, na Band ou pelo twitter @fazevedo22. No jogo com a Costa do Marfim, ele deu mais uma demonstração do seu lado inexperiente (normal, eu diria) para um iniciante. O problema é que ele não é o culpado. Dunga só virou técnico graças a uma reunião de gênios. Poucos sabem, mas Branco, ex-coordenador da CBF e do Fluminense, foi quem deu a dica para o presidente Ricardo Teixeira, logo após o fracasso na Alemanha.

Teixeira estava atônito, perdido depois do fiasco na Copa de 2006, e Branco, à época na CBF, teve a “brilhante” ideia de lançar o Dunga como técnico. No entendimento do ex-lateral, o capitão do tetra tinha o perfil para mudar a postura da Seleção Brasileira. Quando chegou, Dunga deixou uma impressão boa, mas que foi se perdendo com o tempo e com a paciência dos que estão por perto (exceção para Jorginho, o fiel escudeiro).

O planejamento apontava para uma mudança no comando da Seleção após a Copa América, só que o Brasil foi campeão. Daí em diante, Dunga foi conquistando os jogadores, formando uma “família” e sendo vitorioso na nova função. Só que a inexperiência fica evidente a cada problema, seja numa entrevista coletiva ou numa adversidade dentro de campo. Assim foi contra Costa do Marfim, quando ele não tirou o Kaká.

Sendo assim, reafirmo que Dunga não é o culpado pelo que acontece ou pode acontecer com a Seleção. A culpa é do Branco ou do Ricardo Teixeira, que aceitou a ideia!!

Sem cara de Brasil

Jogadores comemoram a vitória na estreia da Copa (globoesporte.com)

Acompanhei atentamente a estreia da Seleção Brasileira e fiquei com a impressão de que vamos sofrer na África. Esta Copa está com baixo nível técnico e o time comandado por Dunga resolveu acompanhar. Sem força e com pouca técnica, o Brasil teve muita dificuldade para vencer a retranca da Coreia do Norte. Aliás, alguém tinha dúvida que seria diferente? Ou que os coreanos se lançariam ao ataque?

A defesa brasileira é sólida, mas vacilou no lance do gol coreano. Lúcio e Maicon deram distância na marcação. O meio-campo foi pouco produtivo. Kaká está bem longe do Kaká que foi eleito, um dia, o melhor do mundo. Felipe Melo e Elano foram discretos no primeiro tempo. Elano cresceu no segundo, apesar de ter tentado no primeiro. O ataque foi apático o tempo todo, com lampejos do Robinho.

Só que isso é muito pouco para quem sonha com o hexa e aposta na dupla Robinho e Luís Fabiano. O primeiro parece um triatleta (pedala, corre e nada). O Fabuloso guarda os gols para os jogos mais difíceis. O jejum contra os “pequenos” está grande. Já o Dunga, melhor não perder muito tempo com quem não gosta de talento. Desculpe, ele gosta de muito de tá lento.

Quando a esperança de reação ou de aumento do poder ofensivo recai sobre o Ramires é hora de ir embora. Vou tentar renovar as energias para domingo. Tem mais retranca pela frente. Vem aí a Costa do Marfim, Dunga! Os caras jogam lá atrás. Ih! mas o Brasil também……cheiro de empate. Definitivamente, este time não tem a cara do Brasil. Parece com alguém!

Segredos revelados

Elano e Maicon fizeram os gols brasileiros (globoesporte.com)

As duas seleções que mais se esconderam da mídia e dos torcedores finalmente mostraram seus segredos. E não causaram um grande impacto. O primeiro tempo de Brasil x Coréia do Norte foi de uma pobreza técnica irritante. Dois times lentos, sem inspiração e criatividade. Kaká não corria, não criava e, em alguns momentos, deu a impressão de que jogava com medo. O meio de campo da seleção brasileira era uma nulidade. Comecei a pensar em quem deveria sair: Elano, Gilberto Silva, Felipe Melo ou Kaká?

Quando o time voltou com a mesma formação cheguei a temer pelo 0 a 0, muito agradável para os coreanos. Mas a conversa de Dunga no intervalo deve ter sido dura e clara. A ordem de correr mais e fazer a partida tomar outro ritmo, o que foi conseguido porque se livrou dos temores e passou a se apresentar no campo inteiro. E por sorte Maicon fez um gol logo no inicio, dando um desafogo para o time. 
 
Antes da meia hora, Elano marcou o segundo gol, em belo passe de Robinho, a melhor figura da seleção brasileira. Dunga pensou no saldo de gols, tirou Elano e Kaká, colocou Daniel Alves e Nilmar, ousando com três atacantes. Ousadia que teve seu preço, porque com o meio de campo aberto os coreanos foram ao ataque e fizeram seu gol.
 
Os segredos das duas seleções estavam à mostra. Só sabem jogar no contra-ataque.

Mais semelhanças do que se imagina

Dunga x Maradona na África (globoesporte.com)

O que Dunga e Maradona tem em comum? Muitas dirão que ambos foram campeões mundiais ou ambos jogaram na Itália, e talvez mais uma ou outra semelhança poderão aparecer. Se perguntarem quais são as diferenças entre eles? A lista de respostas será imensa. A paixão de Maradona pelo futebol e pela Seleção Argentina é inquestionável. Já Dunga talvez tenha a mesma paixão, mas prefere não demonstrá-la.

O estilo de suas equipes também pode diferenciá-los, já que as equipes que eles formaram são reflexo do modo de jogar que eles tinham. Mas entre diferenças e semelhanças, o que me chamou a atenção foi um detalhe na lista desses treinadores, que até nos nomes que deixaram de fora do Mundial se mantiveram fiéis ao seu estilo de jogo.

Dunga, cabeça de área clássico, de jogo duro e futebol sério, deixou de fora Ronaldinho Gaúcho, Ganso, Neymar e Diego, que são jogadores que fogem totalmente desse estilo. Já Maradona, jogador eternizado pela genialidade, pelo futebol irreverente e atrevido, não incluiu na sua lista Cambiasso e Zanetti, jogadores que têm estilo oposto ao do treinador argentino, mas semelhante ao técnico da Seleção Brasileira.

Talvez seja apenas coincidência, mas a verdade é que em menos de 24 horas saberemos que “estilo saíra vencedor, o “estilo atrevido” ou o “futebol sério”, agora é só esperar pra ver.

*autor: Luciano Silvério (colaborador do Monstros do Futebol)

Velho Lobo faz suas apostas

Torcedor leva jornal O Globo de 70 para Zagallo (fotos: Marcelo de Jesus)

O tetracampeão Zagallo tem na ponta da língua os favoritos ao título da Copa do Mundo. Ele aproveitou a tarde de autógrafos para fazer as suas previsões. Mesmo de fora da competição, este ano o Velho Lobo vai ficar no Brasil, ele está torcendo pelo hexa, mas sabe que os concorrentes estão mais fortes na África.

Zagallo exibe, com orgulho, a réplica da camisa de 58

“Além do Brasil, é claro, aposto na Itália, Argentina, que tem um ótimo grupo, Espanha e Inglaterra, que pode surpreender pelo talento do seu treinador”, ressaltou Zagallo, referindo-se ao italiano Fábio Capello. O Velho Lobo aproveitou o evento para mandar uma mensagem ao técnico Dunga. “Estou com vocês nesta luta. Se preparem porque tem cada pedregulho no caminho”, ressaltou o tetracampeão.

Zagallo participou de uma tarde de autógrafos da sua camisa de 58, em homenagem ao primeiro título brasileiro em Copas do Mundo. “Ali começou todo este caminho que hoje pode ser coroado com o hexa na África”, lembrou. A camisa custa R$ 99,90 e o público compareceu em grande número ao evento, que foi organizado pela Hawaii Sports e Estilo Carioca (fabricante da camisa).

Zagallo em tarde de autógrafos

Imagem e semelhança

Um dos jogadores mais contestados da atual Seleção Brasileira, o meia Felipe Melo chegará à Copa do Mundo de 2010 por um motivo que salta aos olhos do futebol brasileiro. Trata-se de um jogador que parece feito à imagem e semelhança do que foi o técnico Dunga em sua época de jogador. Quando fez parte da Copa de 1990, Dunga acabou sendo associado ao futebol burocrático, de vitórias magras e com um esquema em que Sebastião Lazaroni priorizava o setor defensivo. Vinte anos depois, o jogador da Juventus segue as mesmas características do ex-jogador agora transformado em treinador de seleção.

Felipe Melo tem um futebol de qualidade duvidosa, com tendência a usar a força para evitar que os adversários entrem na área do Brasil. Assim como Dunga, Felipe Melo também parece não aceitar críticas ao seu estilo de jogo. Mais uma vez, sua postura mais agressiva foi confirmada no dia de sua convocação, durante o programa Bate-bola, da ESPN Brasil. O jornalista Paulo Vinícius Coelho questionou o jogador sobre o que esperar dele na Copa, depois de na temporada passada ele ser considerado um dos piores atletas do Campeonato Italiano e o time dele fazer sua pior campanha depois de 40 anos no Calcio.

Mas há uma diferença crucial entre o futebol de Dunga e Felipe Melo. Em seu início de carreira no Brasil, o capitão das Copas de 1994 e de 1998 era considerado um dos melhores volantes do país, e chegou a fazer parte da Seleção Olímpica. Enquanto isto, seu “pupilo” começou a carreira com más passagens por Flamengo (clube que o revelou) e Cruzeiro, antes de ir para o futebol europeu. O padrão de jogo da Europa é suficiente para levá-lo a uma Copa do Mundo?

Para Dunga, sim. Felipe Melo vai à Copa correndo o risco de virar nome de uma “era” de maneira pejorativa. Até a bola rolar na África do Sul, ficará a incerteza de qual tipo de “Era Dunga” o meia vai trazer para os brasileiros – o fracasso do nono lugar na Copa de 1990 ou a vitoriosa trajetória da Copa do Mundo de 1994. A única certeza estampada na seleção canarinho é a de que o futebol brasileiro vive a “Era Felipe Melo”.

*autor do post: Vinícius Faustini