Acordo tácito

Quando o Palmeiras fez o primeiro gol antes dos cinco minutos de jogo o nervosismo começou a tomar conta do time do Fluminense. Talvez porque o gol nasceu de uma falha da defesa, mas ficou claro que os tricolores não esperavam tal recepção Palmeiras.

O empate veio logo depois, em um belo chute de Carlinhos, m as não foi o suficiente para acalmar o Fluminense. Por afobação, precipitação, pela péssima forma técnica de Fred, o Fluminense, que já tinha chegado em uma cabeçada de Emerson  na trave, perdeu claras oportunidades aos 21,28, 36 e 38 minutos, mostrando o nervosismo nas chuteiras dos seus jogadores.

Tão evidente era a precipitação que Muricy Ramalho pediu apenas uma providência aos seus jogadores: calma. Fred perdeu nova oportunidade aos sete minutos, mas logo depois Tartá teve calma para colocar no canto e marcar.

E a partir daí ficou claro que a recomendação de Muricy não tinha sortido efeito. Inexplicavelmente o Fluminense passou a atuar recuado, cauteloso, temeroso do adversário.

Foi então que o acordo sem palavras foi claramente proposto pelo Palmeiras. Nada de correrias, nenhum chute ao gol, toques laterais como a dizer para o Fluminense “está tudo bem”.

O Fluminense custou a entender o recado, mas quando sentiu o clima do adversário também tratou de tocar a bola, deixar o tempo passar para selar o acordo de paz.  

Excesso de peso

O Fluminense vai ter problemas em suas próximas viagens aéreas. Conca vai ser barrado por excesso de peso. Carregar nas costas um volume com as dimensões e o peso de Washington não é brincadeira, que se agrava com  conivência de Muricy Ramalho, teimando em escalar um artilheiro que não marca há 14 jogos.

E talvez até por sentir que está mal tecnicamente, Washington não consegue dominar a bola, chuta mal e contra o São Paulo teve a agravante de dar ao adversário a chance de uma reação. O gol perdido na pequena área deu ânimo aos paulistas que empataram e começaram a jogar de igual para igual.
 
Para a sorte de Washington e de Muricy havia um baixinho que resolveu, mais uma vez, assumir a responsabilidade do jogo. Conca participou dos quatro gols do Fluminense, direta e indiretamente, juntando classe, técnica e liderança.
 
Talvez porque Muricy Ramalho tirou Washington, e com isso aliviou o excesso de peso nas costas do grande baixinho.  
 
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 Tomara que não aconteça, mas o Flamengo pode ver o sonho de se livrar do rebaixamento se transformar em um terrível pesadelo. O time continua a não convencer, mesmo jogando contra o quase rebaixado Guarani, antepenúltimo colocado e com a segunda pior artilharia do campeonato.
 
O time joga mal, sem criatividade, desordenado até. Erros incompreensíveis, como a escalação de Kleberson, absolutamente inútil, e a retenção de Leo Moura e Juan, que eram as melhores armas de contra ataque e agora se limitam a marcar os adversários.
Haja o que houver, o Flamengo precisa de reforços urgentes para disputar qualquer divisão do futebol brasileiro.
  
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 A torcida que pede para o time perder pode exigir que ele volte a vencer?     

Preliminares

Não é desesperador, mas o jogo contra a Argentina mostrou alguns problemas que devem ser encarados com calma e seriedade. Faltou à seleção brasileira um pouco de calma e muita experiência, quesitos que podem ser aplicados com o tempo.

O que seria um exame de aprovação para Ronaldinho Gaúcho acabou sendo a reprovação, embora parcial, de Robinho. O capitão do time não teve lampejos individuais e pouca participação coletiva. Aliás , em matéria de ofensividade a seleção brasileira deixou muito a desejar.

Uma bola na trave de Daniel Alves e um calcanhar de Ronaldinho foi tudo o que o Brasil fez no primeiro tempo. Os argentinos foram saindo para o jogo e terminaram o primeiro tempo um pouco melhores.

Ficou claro que os argentinos descobriram que o bicho não era tão feio e voltaram no  marcando por pressão no campo defensivo brasileiro. E tiveram mais posse de bola, mais iniciativa e ignoraram as substituições brasileiras.

Foram saindo Ronaldinho, Neymar, Robinho e Ramires e nada mudou. Os argentinos sentiram que podiam vencer o jogo e o fizeram já nos acréscimos, em bela jogada individual de Messi que esteve apagado boa parte do jogo, mas teve calma e experiência para fazer o gol da vitória aos quarenta e seis minutos.

O cúmplice

Caso realmente exista uma armação para a dar o título do Campeonato Brasileiro ao Corinthians estou seriamente desconfiado de que o Fluminense participa da mutreta.Tal desconfiança cresceu depois do empate contra o Goiás, em um jogo que devolveria a liderança do campeonato, independente de outros resultados. O jogo começou com um Fluminense lento e desorganizado. O Goiás começou tímido, mas logo sentiu que havia possibilidades de chegar a um bom resultado. Marcado individualmente, como sempre, Conca não conseguia armar jogadas ofensivas. O outro armador, Deco, está fora de forma e mal aparecia em campo. O Goiás fez um gol, falha do lateral Carlinhos, aos 19 minutos, e o Fluminense só foi empatar uma hora depois, no segundo tempo, em um pênalti sobre Rodriguinho, que entrou no intervalo. Se contarmos as vezes em que o Fluminense entregou a liderança, ou deixou de mantê-la ou conquistá-la, dá para desconfiar em cumplicidade na tal mutreta. Disputar a liderança dependendo da vitória e deixa-la escapar com um empate contra o penúltimo colocado é jogar um título pela janela.

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Os defensores do uso irrestrito da tecnologia sofreram um rude golpe no sábado. Até hoje existe uma discussão sobre o pênalti em Ronaldo no jogo contra o Cruzeiro. Não há unanimidade de opinião entre os jornalistas consultados. As opiniões respeitáveis se dividem, incluindo aqueles, que como eu,estão em dúvida até hoje. Acho que a tecnologia deve ser usada no futebol, mas cautelosamente. O lance do pênalti não foi esclarecido e nem o seria se houvessem dezenas de câmeras espalhadas pelo gramado.

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O Flamengo deve trocar a festa de aniversário por providências a curto e longo prazo com vistas ao time de futebol. A goleada para o Atlético Mineiro, recém saído da zona de rebaixamento, apaga as velinhas de qualquer bolo de aniversário.

Dogmas

Um gol antes dos cinco minutos e o jogo está resolvido. Três atacantes fixos e o time fica mais ofensivo. Coisas que o futebol desmascara a todo instante, mas que alguns pensam que são definitivas.

Foi assim no Fluminense X Vasco, jogo em que mais uma vez vi um  time marcar bem cedo, desnortear o adversário e depois passar quase que o tempo todo recuado para garantir a vitória. Por outro lado , o adversário ficou desnorteado, com apenas um bom m jogador na criação de jogadas para os três atantes fixos que não conseguiam espaços para finalizar as jogadas.

Com o gol, o Fluminense teve o domínio do jogo. Uma boa marcação sobre Felipe e a movimentação veloz de Tartá deixaram o Vasco perdido em campo. Uma tontura que foi até os 30 minutos, porque a partir daí Felipe encontrou espaços e o Vasco a sua melhor forma de jogar.

E apesar da correria dos dois times algumas oportunidades foram perdidas. Marquinho quase aumentou para o Fluminense, Nunes chutou na trave e nos acréscimos Washington fez o habitual: perdeu um gol livre, cara a cara, porque demorou a finalizar.

O Fluminense venceu com um gol aos três minutos, mas quase cedeu o empate. E os três atacantes do Vasco pouco ameaçaram, apesar de bom tempo de domínio do jogo.

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Está faltando um pouco mais de ousadia ao time do Botafogo, que só resolve sair para o jogo no segundo tempo. Joel Santana achou o empate um bom resultado, mas nunca é demais lembrar que o  Avaí é o antepenúltimo colocado no campeonato.

Faltou falar do Flamengo, mas o que dizer de um hexacampeão que em 34 jogos venceu apenas oito, empatou 16 e perdeu 10?

Escravo da telinha

Sentei-me diante da televisão às 17h30m e só me levantei por volta da meia noite. Um recorde que foi acompanhado por por outro fato estranho: vi três jogos que terminaram empatados e dois pelo mesmo resultado. Francamente, espero não repetir esta obrigação tão cedo.

O início até que foi promissor. Milan e Real Madri fizeram uma partida que começou a mostrar erros defensivos dos dois times, mas ficou emocionante no final. De quebra, mostrou que Ronaldinho Gaúcho está longe da forma ideal para jogar na seleção brasileira. Um bom passe para Ibrahimovic e só. Foi substituído por Inzaghi, que fez os dois gols do Milan e jogou Ronaldinho no ostracismo.

Não houve tempo para levantar e satisfazer algumas necessidades básicas. Cliquei para o jogo Internacional X Fluminense , já em andamento. Cheguei a tempo de ver Diguinho salvar um gol em cima da linha e depois assisti  um jogo em que o Fluminense fez tudo para  esfriar a bola e Guiñazu parou Conca na base da violência, contando com o beneplácito do árbitro Evandro Rogério Roman. Para ser justo, encantei-me com o goleiro Ricardo Berna e passei a considerar a possibilidade de ver Washington jogar de zagueiro para pelo menos aproveitar seu porte físico.

Parti para Ceará X Flamengo e tive a alegria de ver um gol logo no início. Talvez desabituado a vencer, o Flamengo recuou e chamou o Ceará para seu campo defensivo. Agradecido, Magno Alves tratou de empatar o jogo.

Mal começou o segundo tempo e Vanderlei Luxemburgo desmanchou o Ataque Três Dês. Sacou Diego e Diogo (bons nomes para uma dupla caipira) e colocou o inefável Val Baiano com  a companhia de Marquinhos. O Flamengo saiu novamente na frente, mas cedeu o empate no fim do jogo.

Estava a ponto de dormir quando Vanderlei Luxemburgo me acordou para a realidade: a meta do Flamengo é apenas fugir do rebaixamento.

Viva o Gordo!

Meu amigo Jô vai me desculpar o uso do título do seu bom programa, mas depois que  eu vi Ronaldo Fenômeno ser o melhor em campo foi a única frase que me ocorreu no jogo Flamengo X Corinthians.

Ronaldo foi o único brilho em um jogo em que o Corinthians só marcou e se defendeu e o Flamengo não tinha recursos para criar oportunidades e fazer gols. Bem que Ronaldo me deu a pala do que ia acontecer quando aos oito minutos deixou Ralf cara a cara com Marcelo Lomba que chutou em cima do goleiro do Flamengo. Pouco depois ele me preocupou. Caiu em campo e na queda mostrou uma respeitável barriga, me levando a pensar que ele começava a sair do jogo por não ter as condições físicas ideais. Pior foi a reação daqueles que foram ao estádio mais para insultar do que para ver futebol.

Mas o jogo foi correndo e Ronaldo mostrou que sua intimidade com a velha amante estava intacta. Tocava a bola com precisão, colocava-se sempre em condições de receber bons passes, e eis que aos trinta minutos abriu o placar com um toque no canto, sem defesa para Marcelo Lomba.

O Flamengo bem que mereceu o empate no segundo tempo, apesar da pouca criatividade do seu meio de campo e da ausência de Deivid, absolutamente nulo. E diante de tudo que vi, só me ocorreu a frase do amigo Armando Nogueira: “Deus castiga quem o craque fustiga”.

Reflexões

A primeira providência a ser tomada pela direção do Vasco é ter uma conversa com  o técnico Paulo Cesar Gusmão, e mostrar a ele que um time sem comando pode sofrer consequências irreparáveis. Lembrar que pela terceira vez ele foi expulso, transmitindo insegurança para o grupo e criando um clima tenso insuportável, principalmente em um campeonato disputado como o brasileiro.

Paulo Cesar diz que não consegue se segurar, mas o que teria provocado o último descontrole? Será que ele acha injusta a expulsão de Dedé depois da entrada criminosa em Willians? E mesmo que a expulsão tivesse sido injusta, nada justifica a resistência em sair do campo e bater palmas para provocar a arbitragem.

Paulo Cesar precisa ter calma para descobrir porque o time do Vasco recua quando começa na frente em um clássico. Depois de um primeiro tempo em que marcou bem, ocupou os espaços e mereceu o gol, o Vasco voltou no segundo tempo dando espaços, sem criatividade, mostrando claramente que estava em campo para garantir o um a zero do primeiro tempo.

E o Flamengo não precisou de muita categoria para chegar ao gol. Mesmo com um Petkovic fora de forma  dominou todo segundo tempo e conseguiu o merecido empate.

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Quando um artilheiro deixa de fazer gols para seu time e acaba fazendo um gol contra, perde a autoridade e o prestígio?

Depois do momento em que Conca segurou a bola e disse a Washington que era o capitão e iria cobrar o pênalti, tive a certeza de que o prestigio do artilheiro anda muito baixo. Pior, Conca cobrou o pênalti com categoria, como se quisesse mostrar a melhor maneira de fazer o gol.

E, cá prá nós: a fase de Washington é feia. Não só por não fazer gols, mas por demonstrar a falta de habilidade com  a bola, que lhe vem dando surras seguidas.

Transformações

A exibição do Flamengo, no sábado, e a vitória do Atlético Mineiro, me deram quase a certeza de que existia algum problema entre Vanderlei Luxemburgo e os jogadores do Atlético. Se Vanderlei consegue transformar o Flamengo, por que os problemas no Atlético, que começou a reagir depois da saída de Vanderlei?
 
Uma goleada indiscutível sobre o Internacional aumentou a minha suspeita, que havia começado quando jogadores antes execrados, como Val Baiano, começaram subir de produção. E no sábado, enquanto o Internacional tocava a bola de maneira improdutiva, o Flamengo era mais prático, mais veloz e conseguia seu primeiro gol antes dos quinze minutos de jogo.
 
E antes do primeiro minuto do segundo tempo Deivid mandou o Inter de volta para casa, ao marcar seu segundo gol, o terceiro do Flamengo, definindo a goleada sobre um  candidato ao título. Algo estranho , que acontecia em Belo Horizonte, está sendo desfeito na Gávea.
 
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Já que falamos de coisas estranhas, o que está acontecendo com  o Fluminense, que recusa a liderança do campeonato, oferecida agora pelo Cruzeiro?
Muricy Ramalho sabia muito bem que, apesar de jogar em casa, Joel Santana iria armar o Botafogo no contra ataque, como de hábito. Joel colou Somália em Conca, matando a criatividade do Fluminense, variou com Jobson pelas pontas, mas era só.
 
Um Fluminense sem inspiração e um Botafogo defensivo iam fazendo um jogo sem emoções e com muitos erros de passe. Aos trinta e cinco minutos do segundo tempo cada time havia errado quarenta e um passes, provavelmente um recorde no campeonato.
 
O jogo teve apenas uma surpresa e uma decepção. Jobson foi quem mais correu em campo, e Washington apanhou da bola durante noventa minutos.

Mistérios

Por que o time do Vasco recua depois de obter alguma vantagem em jogos aparentemente resolvidos, mesmo dentro de casa? Por que o Corinthians não resolve a contratação do novo técnico e deixa seu time entregue à própria sorte?

Não quero ser estraga prazeres, mas o Vasco venceu, cautelosamente, um time praticamente sem técnico. O quebra-galho Fábio Carille dirigiu o time sem ter comandado os jogadores do Corinthians nenhuma vez. Apenas uma brincadeira e depois uma conversa sobre a maneira de enfrentar o Vasco. E o que se viu foi um time desordenado, contando somente com o brio dos jogadores para evitar males maiores. E o Vasco?

Dentro de casa, contra um adversário desorganizado, fez dois gols antes dos vinte e cinco minutos e depois tratou de esfriar o jogo, fazendo o tempo passar e irritando sua torcida, temerosa de que novamente o time deixasse escapar a vitória depois de abrir uma vantagem razoável.

O segundo tempo foi o confronto da cautela contra a desorganização. Melhor para os vascaínos, que apenas tiveram que ter paciência para ver o tempo passar enquanto o time não cometia nenhuma ousadia. Pior para os corinthianos, que não sabem o que a direção do clube está fazendo para escolher quem oriente o time dentro do campo.