
As duas seleções que mais se esconderam da mídia e dos torcedores finalmente mostraram seus segredos. E não causaram um grande impacto. O primeiro tempo de Brasil x Coréia do Norte foi de uma pobreza técnica irritante. Dois times lentos, sem inspiração e criatividade. Kaká não corria, não criava e, em alguns momentos, deu a impressão de que jogava com medo. O meio de campo da seleção brasileira era uma nulidade. Comecei a pensar em quem deveria sair: Elano, Gilberto Silva, Felipe Melo ou Kaká?
Quando o time voltou com a mesma formação cheguei a temer pelo 0 a 0, muito agradável para os coreanos. Mas a conversa de Dunga no intervalo deve ter sido dura e clara. A ordem de correr mais e fazer a partida tomar outro ritmo, o que foi conseguido porque se livrou dos temores e passou a se apresentar no campo inteiro. E por sorte Maicon fez um gol logo no inicio, dando um desafogo para o time.
Antes da meia hora, Elano marcou o segundo gol, em belo passe de Robinho, a melhor figura da seleção brasileira. Dunga pensou no saldo de gols, tirou Elano e Kaká, colocou Daniel Alves e Nilmar, ousando com três atacantes. Ousadia que teve seu preço, porque com o meio de campo aberto os coreanos foram ao ataque e fizeram seu gol.
Os segredos das duas seleções estavam à mostra. Só sabem jogar no contra-ataque.

O jogo Itália x Paraguai poderia ser apitado por um guarda de trânsito, tal a quantidade carrinhos de parte a parte, alguns muito desleais e merecedores de expulsão. Placar justo porque os dois times alternaram o domínio do jogo. A Itália, atual campeã do mundo, mostrou maior categoria, mas não a ponto de merecer a vitória. Um primeiro tempo sem emoções ou finalizações. O Paraguai fez seu gol no fim do primeiro tempo, de cabeça, em uma cobrança de falta, o que comprometeu o sistema defensivo que dizem ser um dos melhores do mundo.
O empate italiano saiu logo no início do segundo tempo, e a partir daí os dois times trataram de segurar o placar. Com uma certa apelação do time italiano, que colocou em campo o famoso Cameronesi, que só não foi expulso porque o árbitro não estava a fim de se aborrecer.
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Que falta fez o Robben. Não apenas para a Holanda, mas para melhorar a qualidade do jogo contra a Dinamarca. Para dar uma ideia, o primeiro gol da Holanda foi contra, no primeiro minuto do segundo tempo. Uma cabeçada do dinamarquês Polson, que esbarrou nas costas de Agger e entrou no canto. O segundo foi aos 40 minutos, quando nem as vuvuzelas eram mais sopradas.
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Japão e Camarões só poderia acabar em sushi.

Três minutos de jogo e o zagueiro alemão salva em cima da linha o que seria o gol australiano. Tratei de mudar de posição na poltrona, pensando “a Alemanha vai passar por um sufoco”. Não demorei a constatar que estava equivocado. Cinco minutos depois Podolski marcava o primeiro gol alemão. Pensei: agora os alemães vão partir para cima com tudo. O tempo foi mostrando que eu me enganara novamente. A seleção alemã começou a tocar a bola sem nenhuma pressa, chamando a australiana para seu campo defensivo, mas sem resultado prático. Os australianos haviam sentido o golpe do gol no inicio e não ousavam ir ao ataque.
Mudei novamente de posição na poltrona, desta vez para não dormir. Tocando e tocando, a seleção alemã chegou a ter 65% de posse de bola, com algumas finalizações perigosas, mas sem afobação. Klose perdeu um gol cara a cara aos 24 minutos, mas antes que eu fizesse qualquer critica ele marcou um minuto depois, de cabeça, disputando a jogada aérea com o goleiro australiano. Os alemães acabavam de mostrar que não estavam com pressa porque tinham a certeza da vitória.
Mal começou o segundo tempo e a Australia se entregou definitivamente. O zagueiro Cahil foi expulso e com um homem a menos seria impossível qualquer reação. Desta vez me restou um a certeza: pintou uma séria candidata ao título.
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Com a habitual grosseria e falta de ética, Celso Roth abandonou São Januário sem dar qualquer satisfação aos dirigentes do Vasco. Felipão, profissional, recusou as propostas do Flamengo e foi para o Palmeiras. Discussões à parte, as duas decisões mostram que o futebol carioca está perdendo o charme e o prestígio.
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Responda rápido. Quem terá mais sucesso nesta Copa: Dunga ou Maradona?

Estou cada vez mais convencido de que considerar o futebol inglês o melhor do mundo não é uma verdade absoluta. Podemos dizer que o futebol praticado na Inglaterra é dos melhores do mundo porque é praticado por brasileiros, argentinos, africanos e outros, mas grandes valores ingleses não são muitos. No começo do jogo contra os Estados Unidos até pensei que teria que rever meus conceitos. Um gol aos três minutos, contra um adversário sem muita tradição (embora a seleção americana também seja formada por jogadores fora do país) me deu a impressão que eu veria um convescote britânico.
O tempo foi mostrando que a maioria dos jogadores ingleses está fora de forma. A começar pelo goleiro Green, que engoliu o primeiro frango da Copa. Concordo com os jogadores que dizem ser traiçoeira a bola da competição, mas o chute de Dempsey foi de muito longe e a defesa deveria ser feita com a proteção do corpo atrás dos braços.
A Inglaterra tinha todo segundo tempo para vencer o jogo. Só que aos 19 minutos os americanos mandaram uma bola na trave. Mesmo dominando, a seleção inglesa não conseguia chegar ao gol americano. Pior foi a solução encontrada pelo técnico Fábio Capello: no desespero ele colocou em campo um tal de Cronch, um jogador de mais de 2m, mas sem a menor mobilidade. Um jogador do tamanho do erro de Capello.
A Argentina venceu de pouco, mas sem grandes problemas. Confesso que esperava mais dos argentinos, mas alguns de seus principais jogadores não fizeram exatamente o que deles era esperado. Messi errou algumas finalizações e Mascherani e Verón me deram a impressão de cansaço a partir da metade do segundo tempo.
A Nigéria mostrou o eterno erro do futebol africano: muita correria, velocidade e ingenuidade. Defeitos mortais quando se enfrenta uma seleção argentina. Duro foi ver o espetáculo ridículo de Maradona. Passou o tempo todo à beira do gramado, gesticulando e reclamando da arbitragem.
O chute de Mokoena, aos 42 minutos do segundo tempo, tocou na trave e nos corações dos africanos. Caía por terra um resultado que seria o presente para uma torcida que vibrou o jogo inteiro e teve a esperança de vitória na abertura da Copa do Mundo. Os africanos custaram a se encontrar em campo. Perdidos, sem nenhum esquema tático, sem jogadas pelos lados do campo, o jogo foi entregue de graça aos mexicanos. Os números definem a situação: a seleção mexicana teve 61% de posse de bola, embora não soubesse transformar este domínio em chances de gol.
A África só chegou perto do gol aos 22 minutos, e a partir daí sentiu que os adversários dominavam, mas tinham um futebol primário e previsível. Foi um contra-ataque com toques rápidos e precisos que terminou em gol dos africanos que deu ares novos à partida. Em três toques a bola foi parar nos pés de Tshablala e ele bateu forte e cruzado para abrir o placar. As vuvuzelas foram sopradas com mais força que atingiu os bafanas e quase criou o segundo gol nos pés de Modise aos 20 minutos.
Aos 25 minutos, um pênalti claro contra os mexicanos não foi marcado pelo árbitro do Uzbequistão. Para agravar o castigo, oito minutos depois o zagueiro Marques empatou para o México, em falha da marcação africana. Empurrados pela torcida, os africanos foram à frente, dominaram e no fim houve o chute de Mokoena, que bateu na trave e fez com que o goleiro Khune terminasse a partida ajoelhado, rosto entre as mãos, enfiado no gramado.
As emoções do jogo de abertura não contagiaram uruguaios e franceses, que fizeram uma partida morna, previsível e medrosa. O temor mútuo era tão grande que os dois times tiveram o mesmo tempo de bola em todo primeiro tempo. O pior foi o recurso usado pelas duas seleções: a violência. Houve uma sequência de cartões amarelos, que culminaram com a expulsão do uruguaio Lodeiro. Aí o Uruguai se encolheu, e o nosso conhecido Loco Abreu, que havia entrado minutos antes, transformou-se em zagueiro.
Terminado o jogo, veio-me a primeira certeza: eu acabara de descobrir porque uruguaios e franceses se classificaram na repescagem.

Quanto custará a compra da felicidade para um povo pobre e sofrido? Milhões na construção de estádios? A presença de grandes estrelas? Discursos políticos? Poucas vezes eu vi tanta gente cantando e sorrindo como agora na África do Sul. Principalmente na quinta-feira, quando 200 mil pessoas foram às ruas, tocando vuvuzelas para demonstrar seu apoio à seleção de futebol.
Nada organizado pelo governo ou entidades internacionais. O povo quis apenas demonstrar que estava com sua seleção, e lá estavam negros e brancos, unidos como nos sonhos de Nelson Mandela. Hoje foi a vez da festa oficial. Proibidas as vuvuzelas, aconteceu um desfile de grandes estrelas internacionais e novamente lá estavam negros e brancos, batendo tambores, cantando e apreciando as sensuais bailarinas.
Em qual manifestação havia mais alegria? A das ruas, das vuvuzelas? Ou a oficial, com grandes cantores e discursos emocionados? Não importa saber o resultado. Importante foi ver a união de raças. Mãos negras e brancas fazendo os mesmos sons, fazendo a África penetrar em corações e mentes.
Prá não dizer que não falei de futebol, quero expor minhas dúvidas no time do Dunga. Pelo que vi na televisão, Júlio César parece estar sem problemas. Fez defesas, caiu no chão, e o que é mais importante: saiu do treino sorrindo. O problema está no miolo. Na forma de Kaká, na falta de forma de Felipe Melo, acrescida de mau humor e violência.
Como se comportará o meio de campo da seleção se Kaká não estiver plenamente em forma? E se Felipe Melo repetir na seleção o que faz no futebol italiano em que conseguiu o recorde de cartões amarelos e vermelhos na temporada? Sem falar na inutilidade da convocação de Kleberson, que simplesmente nem entra em campo.
“A felicidade do pobre parece a grande ilusão do Carnaval”
(Vinicius de Moraes e Antonio Carlos Jobim)
*Comentário do Monstro convidado Sérgio Noronha